Ser
Rainha da Vaquejada se tornou o sonho de muitas meninas e mulheres que gostam
das festividades, da simbologia, do glamour ou, até mesmo, do sentido cultural
que esse título carrega. Em cada município, existe um regulamento próprio.
Alguns são muito bem elaborados e conseguem dar oportunidade para que a
candidata mais preparada conquiste a faixa e a coroa. Outros, porém, parecem
criar regulamentos vazios, cheios de brechas e critérios que, em vez de dar
segurança, acabam fazendo a gente questionar o próprio processo de escolha.
Uma
coisa, para mim, é muito clara: a candidata que vence participa de todo o
processo e, se ganhou dentro das regras estabelecidas, é merecedora. Isso é
fato. A crítica que faço não é contra quem recebe a faixa, mas aos processos
que precisam ser pensados e melhorados.
Particularmente,
acho extremamente brega quando se escolhem temáticas que não têm relação com a
vaquejada para um desfile que deveria justamente representar a vaquejada. Se
estamos falando de Rainha da Vaquejada, os trajes, figurinos e elementos
apresentados deveriam dialogar com esse universo. Quando falamos em Rainha do
Município, aí sim podemos trabalhar diferentes conceitos e referências para
representar a cidade. Mas Rainha da Vaquejada? É vaquejada. É lógico, não?
Cada
rainha passa a representar a vaquejada do seu município. Por isso, acredito que
a escolha deveria contar também com pessoas que conhecem a realidade e a
identidade cultural daquela festa. Não tenho nada contra jurados de fora, muito
pelo contrário. Mas trazer apenas profissionais de moda e beleza, sem
considerar o olhar de quem conhece o que aquela faixa representa para o povo,
pode fazer com que se perca um pouco da essência do título.
E antes
que alguém diga o contrário: sim, beleza é fundamental em qualquer concurso
dessa natureza. Não estou dizendo que as escolhidas não são bonitas. São, cada
uma dentro da sua beleza e do seu jeito. Mas precisamos entender que estamos
falando de um concurso de beleza, e beleza também precisa ser avaliada. O
conceito de beleza pode até ser cultural, relativo e subjetivo, mas ainda é um
dos elementos centrais desse tipo de competição.
Outra
coisa que considero injusta é colocar o número de seguidores ou o voto nas
redes sociais como um dos principais critérios para escolher uma candidata.
Desde quando quantidade de seguidores determina quem é bonita ou quem merece
ser Rainha da Vaquejada? Hoje existem pessoas com milhares de seguidores que
não necessariamente possuem os atributos que um concurso de beleza deveria
avaliar. Seguidores medem alcance, não beleza, postura ou representatividade.
Essa fórmula, portanto, precisa ser repensada.
No fim
das contas, todas as mulheres que conquistam o título dentro das regras
estabelecidas merecem ser respeitadas. Elas participaram, se prepararam,
tiveram coragem de se expor e chegaram até a vitória. A faixa é delas e ninguém
deve diminuir isso.
Mas
justamente porque acho esses concursos encantadores e vejo neles uma riqueza
social e cultural enorme, acredito que precisamos discutir como eles estão
sendo feitos. Regulamentos mais claros, critérios mais coerentes, jurados
preparados e, principalmente, uma escolha que consiga ouvir e representar o
sentimento do povo.
A Rainha
da Vaquejada não deveria ser apenas um rosto bonito usando uma coroa. Ela
carrega o nome de uma festa, de um município e de uma cultura. E se o título
representa o povo, nada mais justo do que, antes de escolher uma rainha, também
aprender a ouvir quem ela vai representar.
No final,
a crítica não é para acabar com o concurso. É justamente o contrário. É para
que ele cresça, fique mais justo, mais bonito e mais conectado com aquilo que
realmente importa: a vaquejada e a cultura que existe por trás dela.

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